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3 de fevereiro de 2016
Você realmente quer ser psicólogo(a)?

Você que está começando a pensar em cursar uma graduação em psicologia, ou já está cursando, já parou para pensar se realmente quer ser psicólogo? A psicologia que é uma ciência, também é uma profissão e deve ser pensada como tal, já que existem inúmeros desafios que se colocam diante do recém formado (ou do formado há muitos anos) que são extremamente importantes.

Para começar, há que se questionar porque se quer fazer psicologia: alguns diriam que por uma vocação humanitária, pois gostam de ajudar os outros; outros dizem que adoram dar conselhos; alguns porque gostam de falar; outros porque detestam matemática; outros ainda porque acham que é bacana ficar em um consultório no ar condicionado; alguns porque acham que “isso dá dinheiro”, dentre os muitos exemplos. Mas vamos desconstruir alguns mitos.

Primeiro, você pode ter vocação humanitária em qualquer profissão: Pode ser um advogado ambientalista ou que trabalhe com direitos humanos; Pode ser um médico infectologista que trabalha na ONU; Pode ser um engenheiro que trabalhe na mitigação de desastres em comunidades pobres; Pode ser um empresário filantropo; dentre as muitas possibilidades. Por mais que exista uma “aura de bondade” na psicologia, no sentido de trabalhar com empatia, compreensão, acreditar no potencial humano, esta não é um atestado de caridade, é uma profissão que tem como objetivo trabalhar no auxílio do desenvolvimento humano em suas diferentes interfaces, não uma instituição que adota todo o mundo sob um ideial de bondade puritana.

Segundo, psicólogo não dá conselho! Psicólogo verifica as dinâmicas comportamentais em que a pessoa se insere e tenta, através da evidenciação de um quadro de causas e consequências fazer a pessoa refletir em um universo de possibilidades existentes no objetivo de ter uma vida feliz ou com menos sofrimento. Quem dá conselho é amigo, pai, mãe, guia espiritual, sacerdote ou o que quer que seja, psicólogo trabalha com observações técnicas a respeito do comportamento humano, dos sentimentos, da maneira como a pessoa se estrutura psicologicamente e como esta vive.

Terceiro, por mais que a fala seja um momento importante para sintetizar informações, gerar reflexões e tirar a pessoa de sua zona de conforto, a maior capacidade de um psicólogo sempre será a escuta. E cabe ressaltar que, escutar é muito mais do que ouvir! Escutar é o ato de prestar atenção às necessidades do sujeito que se expressam pelas mais variadas vias: pela boa, pelo corpo, pelo comportamento, pela história de vida, etc. Escutar é o momento básico no processo de construção da empatia pelo sujeito, e é uma capacidade que precisa ser trabalhada por toda a vida de um psicólogo.

Quarto, se você detesta matemática, pense melhor: você irá, inevitavelmente estudar estatística! A matemática nada mais é do que uma forma de expressão da realidade através de uma linguagem numérica objetiva, que muitas vezes pode até não dar conta de expressar a totalidade, mas que pode auxiliar no desenvolvimento de pesquisas e na compreensão de comportamentos coletivos mais amplos.

Quinto, você pode entrar na faculdade com a ideia de ser um psicólogo clínico, mas pode sair dela com a convicção de ser um psicólogo comunitário, daqueles que sobre às favelas para trabalhar com populações marginalizadas, ou dos que vão aos pontos de prostituição da cidade para trabalhar com “consultórios de rua”. Nem sempre o ar condicionado vai dar conta de satisfazer as suas necessidades laborais, e às vezes, seja por convicção ou por uma simples questão de oportunidades profissionais, você será levado à lugares onde jamais imaginou.

Sexto, a não ser que tenham inventado uma árvore geneticamente modificada para “dar dinheiro”, esqueça! Dinheiro não cai do céu, e é fruto de trabalho duro, competência e condições socioeconômicas favoráveis. Ora, os mercados estão saturados! Já era o tempo em que ser da profissão A ou B era uma predestinação ao sucesso financeiro. Não importa se você é bom, às vezes está no lugar errado! Não importa se você é ruim, às vezes está no lugar “mais do que certo”! O que importa é a capacidade do psicólogo de se situar no mundo do trabalho e tentar perceber todas as variáveis que podem estar envolvidas na construção de uma carreira de sucesso.

O objetivo deste texto não é jogar um balde de água fria em ninguém, mas é o de desmistificar o ideal romântico que muitos possuem a respeito da psicologia: você terá que estudar muito, ler muito, se dedicar muito, andar em lugares que nunca pensou, terá que ter bons contatos, pensar nas oportunidades que se abrem pra você (e aproveitá-las), investir muito (afinal de contas, nada vem de graça!), e quando pensar que já está bom, vai ter que começar tudo de novo! A vida é uma batalha que pertence aos persistentes, e o mercado de trabalho, seja na psicologia ou em qualquer outro lugar, também!

Imagem: Extraída do Google Imagens

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