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6 de junho de 2017
Viver a morte: pacientes frente à finitude da vida

Diante de uma doença potencialmente fatal, o sujeito se vê frente a frente com a morte. Morte…

Morte, condição de finitude, tão temida, pouco falada.

Morte, sinônimo de aniquilamento, ausência, perda, desamparo, separação…

Um território desconhecido, imprevisível, inexplorado, nunca antes vivido.

A morte, ora chega subitamente, ora lentamente. Preparados ou não, ela chegará.

Quando chega em forma de doença, o paciente logo é rotulado como “paciente terminal”. Uma forma estereotipada de se referir a pacientes com prognóstico reservado de que não há mais o que fazer.

Será que não há mesmo o que fazer???

Mesmo com a impossibilidade de reestabelecimento da saúde física do paciente e o caminhar previsível e inevitável para a morte, novos rumos podem ser tomados para que esse caminho seja trilhado de maneira menos aversiva e dolorosa possível.

Não há como poupá-lo(a) da própria morte. Mas, sim há o que fazer!!!

Uma variedade de condutas podem ser realizadas com os pacientes e seus familiares. Condutas que possam aliviar a dor, diminuir o desconforto, e acima de tudo, possibilitar que a pessoa se situe frente a esse momento de finitude, acompanhada por alguém que possa ouvi-la, acalentá-la e alimentar seus desejos.

É fundamental, quando possível, que a autonomia, as escolhas da pessoa sejam reconhecidas e respeitadas, dando a ela um lugar ativo em um momento permeado de muitos limites. Limites que muitas vezes abandonam e isolam o paciente, e não o oportunizam morrer de forma digna, protagonizando sua vida e sua história

A terminalidade pode ser vivenciada em algumas horas, dias, semanas, meses ou anos. Ela é uma condição e não um tempo. Uma condição de que mesmo com a mais alta tecnologia e os medicamentos mais modernos, a morte é inevitável.

A morte faz parte da vida, e vale a pena vive-la.

Conscientizar-se e aceitar a morte pode tornar o processo mais humano, ir além do biológico, das máquinas e medicamentos.

Conscientizar-se e aceitar a finitude pode mudar a forma de ver a vida, a morte e o mundo.

“Mas sabendo que mesmo

se estivesse morrendo,

até morrer de verdade,

eu ainda estava vivo.”

(Paul Kalanithi)

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