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2 de dezembro de 2020
Processo Supera(Dor): Luto e Perdas

Somos seres especialmente únicos, nossa subjetividade dita a forma como lidamos nas variadas situações do cotidiano. Momentos de alegria, de tristeza, de exaustão, de dúvidas e de decisões permeiam nossas escolhas no dia-a-dia, nada seríamos sem esse processo de crescimento para a formação de quem realmente somos.

Diante desse processo esbarramos em situações nada agradáveis, perda de algo ou alguém muito importante, pois quando falamos em perdas esbarramos no luto que são as reações diante desses eventos. Exemplos de perdas como: emprego, vínculo de amizade, autonomia, saúde, cônjuge, filhos saem de casa, entre outros.

Como psicóloga (o) devemos sempre acolher para cuidar, estar disponível emocionalmente e através da escuta ativa auxiliá-lo na ressignificação da perda sofrida. Através da minha experiência em Psicologia Hospitalar entre 2018 e 2019, pude lidar com situações extremas e de alta complexidade dentro da UTI, o acolhimento era feito antes das visitas já analisando as reações prévias no intuito de antecipar quaisquer situações adversas.

A importância de estar atento com foco na interpretação e compreensão a quaisquer detalhes de forma verbal ou não verbal, pois nem todos estão acostumados com o ambiente de UTI, que por muitas vezes ao ser mencionado já desperta reações inesperadas. O objetivo é buscar promover o conforto desse familiar durante a internação do seu ente querido, ou seja, o mais humanizado possível. Ao perceberem a competência técnico-científica da equipe em suas ações se sentem mais confortáveis e confiantes diante do tratamento.

A mensagem repassada de forma clara e objetiva beneficia para que a família em conjunto busque formas de enfrentamento, auxiliando na dor um do outro. Principalmente, de que na UTI não é possível prever caso haja uma reação inesperada do paciente, é nesse sentido que se dá a importância do trabalho multidisciplinar, o levantamento de informações e o suporte/acolhimento necessário à esses familiares. Mostrar que diante da internação poderá
ocorrer uma verdadeira “montanha-russa” no quadro do ente querido, que toda equipe está 24hs por ele e para ele, dando todo suporte necessário.

Diante dessa desorganização, da angústia, do desespero e do sofrimento é que podemos trabalhar diferentes formas de enfrentamento, buscando entender como esse indivíduo está lidando baseada em suas experiências de vida, de perdas anteriores, se têm ou não uma rede de apoio.

No hospital, geralmente, lidamos com as primeiras fases do luto: negação, raiva e barganha, em que a situação está acontecendo no aqui e agora, tendo uma enxurrada de informações, atitudes a serem tomadas mesmo sem nenhuma estrutura para tal.

Na clínica, nos deparamos com a fase de depressão em que trilhamos o caminho da aceitação, acolhemos o indivíduo em seu mais profundo estado de tristeza, desesperança e culpa. Pensamentos como: “Porque devo me preocupar com as coisas?”; “Nada faz sentido para mim.”; “Sem ela(e) não consigo.”

A psicoterapia auxilia o paciente na aceitação dessa nova realidade diante da perda, ao reconhecer e aceitar inicia-se o processo de paz e conforto.

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POLYANA FAUSTINO COSTA FREIRE | Psicóloga – CRP 09/14302

Bacharel em Psicologia pela Estácio de Sá de Goiás; Pós-Graduanda em Gestalt-Terapia pela Faculeste e Formanda em Psicologia Hospitalar pela Escutha – Psicologia e Saúde. Atua como Psicóloga Clínica, presencial e on-line, com foco em adultos e idosos em demandas como: luto, perdas, ressignificação, autoconhecimento e autocuidado; Voluntária no projeto Rede Psis visando uma parceria com o paciente, objetivando habilitar a pessoa para que ela possa usar a cognição, as sensações, emoções e sentimentos para enfrentar a própria realidade.

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