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21 de fevereiro de 2017
Prazer, meu nome é TOD!

Prazer, meu nome é TOD! Tenho 8 anos e sou uma pessoa extremamente birrenta, teimosa, respondona, desafiadora, mau humorada, desobediente e agressiva. Quando as coisas não saem como planejei, fico ainda mais frustrado. Quando alguém diz que algo é de um jeito, algo em mim diz que não é e vou logo soltando um “NÃO!”, sem nem pensar, sem ao menos saber se estou errado. Nunca estou errado. Aliás, penso que não. Sempre tenho uma justificativa para algum erro ou falha, nunca assumo nada.

A maioria das pessoas culpam meus pais por esse meu jeito agressivo e opositor de ser. Dizem que meus pais não me dão limite, que eles são péssimos pais, que fazem tudo errado, que não conseguem me educar e que sou eu quem controlo eles. Ah, dizem também que eu testo a paciência deles dia após dia…

Dizem que a casa é conturbada por minha causa. Que eu perco a paciência muito fácil e, assim, todos ficam nervosos também. Que eu discuto sem ao menos saber qual o assunto, que eu não obedeço às regras, que eu não faço nada que me pedem e, quando faço, é porque pediram pelo menos três vezes. Dizem que implico com todos, que adoro provocar e amo colocar a culpa nos outros por tudo que faço.

Dizem que frequentemente acordo irritado. Quando acordo feliz, logo já estou emburrado. Dizem que demonstro rancor e que sou uma pessoa vingativa. Que eu maltrato meus colegas e pessoas da minha família. Dizem que sou um péssimo menino.

Para eu ser alguém melhor, me aconselharam tantas coisas… Preciso tomar alguns remédios, ir à psicoterapia e ter apoio da escola.

Mas apesar de tudo isso, sei que tenho um coração bom e que não faço nada disso por querer. Não sou um péssimo filho, nem um péssimo menino. Meus pais me educaram muito bem, eles fazem de tudo para me ajudar. Apesar de tudo isso, ainda sou criança e confesso que fico chateado por me chamarem de mal educado.

Meu nome é Antônio, mas sou conhecido por ter desenvolvido TOD. No início achei que isso era um mero apelido, mas hoje entendo que é mais que isso. Tenho Transtorno Opositor Desafiante e acredite: não sou só eu quem desafio as pessoas. Este transtorno me desafia todos os dias. Este transtorno, que é responsável por colocar todas as minhas qualidades, minhas potencialidades, minhas emoções lá embaixo, e elevar todos os meus defeitos. Este transtorno, que coloca meus pais como o problema da história. Este transtorno, que me atrapalha a ser criança, a ter uma vida normal. Este transtorno que aos olhos dos outros, me caracteriza mais do que qualquer outra coisa…

Apesar dele, tenho sentimentos, qualidades, vontades, anseios… Apesar dele, sou uma criança. Apesar dele, prazer, meu nome é Antônio.

Autora:

Gabriela Franzão Soldi

Graduanda do 6° período de psicologia na Universidade Salgado de Oliveira – Goiânia. Atualmente é estagiária na Rede Goiana de Psicologia, responsável pelo blog “Psicóloga Informação” e pelo projeto Roda de Informação. Possui interesse em Neuropscologia e Terapia Cognitivo Comportamental.

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