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3 de junho de 2020
O processo depressivo na velhice

Na velhice a depressão tem sido uma das psicopatologias mais frequente, ainda que muitos casos não tenham sido diagnosticados. A forma como o idoso manifesta os sintomas da depressão é diferente das demais fases, sendo encontrados mais sintomas somáticos, como dores crônicas e distúrbios do sono e apetite. Assim, alguns sintomas clínicos e cognitivos observados nos idosos podem mascarar sintomas psicopatológicos.
Outras questões relacionadas à proximidade da morte, não mais ter muitas expectativas quanto ao futuro, além de questões relacionadas ao próprio processo de envelhecer, como fragilidades físicas e na saúde, também são exemplos das particularidades encontradas na velhice.
Alguns sintomas como déficit cognitivo, quadros demenciais, humor depressivo ligado diretamente a perdas significativas ou encobertas por sintomas somáticos, são exemplos de sintomas que estão presentes no processo de envelhecer, mas também podem ser sintomas de depressão, alguns medicamentos utilizados com frequência também podem estar relacionados às manifestações depressivas.
A relação com o meio social também precisa ser levada em consideração para o diagnóstico. A transição que o idoso comumente faz de um período de produção profissional para a aposentadoria, o declínio no convívio social devido a alguma enfermidade, a necessidade de ajuda para a realização de tarefas simples que antes fazia sem grandes limitações, o aumento das perdas fisiológicas, sociais, biológicas e psicológicas são questões que podem demandar um processo de luto, e que podem desencadear uma depressão.
A experiência com o adoecimento trará uma nova realidade que precisará de novos reajustes. Muitas vezes pode-se encontrar na doença uma forma de fazer um laço com o outro. Muitos idosos se queixam de não serem escutados, tocados e olhados. Com a doença, surge um olhar e uma maior atenção voltada para este sujeito.
O idoso precisa se adaptar a novas situações, aceitando as mudanças por meio de um trabalho psíquico de elaboração das perdas e de construção dessa nova realidade. Dependerá dos recursos internos que tem para enfrentar a perda e da complexidade do próprio meio em que o idoso está inserido. O suporte social que o idoso recebe irá influenciar na forma como enfrentará essa nova fase, podendo apoiá-lo e dar-lhe suporte emocional para enfrentar o novo, ou tornando-o mais vulnerável.
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Autora: ANA PAULA CURADO DA PAZ SANTOS | Psicóloga – CRP 09/10452

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás -UFG, nas modalidades bacharel e licenciatura. Especializando em Psicanálise Clinica – “O sujeito e suas formas de subjetivação” pelo Instituto Nacional de Cursos (INCURSOS). Experiência como psicóloga clínica no Centro de Psicologia da UFG, em atendimentos psicológicos na área da saúde com atividades no programa de Mastologia do Hospital das Clinicas de Goiás -HC. Desempenhou pesquisas e trabalhos pela UFG com grupos voltados ao publico da terceira idade. Atuou na área de licenciatura em psicologia com adolescentes e possui experiência em Psicologia Organizacional.

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