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12 de novembro de 2020
O Corpo e o Pulsar da vida

Quase todas as formas de vida tem em comum o fato de se desenvolverem na superfície de contato onde a terra e o céu se encontram. Assim como as árvores, nós animais humanes recebemos nossa energia vital do céu, dos raios solares, mas também da terra, através do nosso contato com ela e dos alimentos por exemplo. Se nos dissociamos da nossa natureza animal (da metade inferior do nosso corpo) perdemos o contato com a terra.

O corpo humano é energético e estruturalmente equilibrado. É balanceado por um processo chamado homeostase, que mantem o nível de acidez do sangue. Energeticamente, o organismo permanece equilibrado por duas forças opostas, uma que age a partir de cima e outra que age a partir de baixo, fluxo descendente e ascendente. Como em uma árvore, por exemplo, onde seus ramos crescem para cima em direção ao sol enquanto suas raízes penetram na terra.

O nível energético corporal depende da nossa respiração, mas muito também dos nossos traços de caráter que podem carregar uma carga hipo-orgonótico (menos energia) ou uma carga hiper-orgonótico (mais carga) e isso influência na nossa forma de estar e agir no mundo em relação a nós mesmes, as pessoas que estão a nossa volta e o desempenho das nossas atividades.

O equilíbrio entre as forças opostas é intrínseco ao fenômeno da pulsação que constitui na raiz da própria vida. A pulsação pode ser descrita como um processo de expansão e contração que se manifesta na respiração, nos movimentos peristálticos, nos batimentos cardíacos e em outras funções corporais. Sendo fundamental para todes os organismos vivos, qualquer que seja o seu tamanho, ocorre nas células, nos tecidos e nos órgãos.

Esse padrão também se aplica ao nosso comportamento, que se alterna entre contração, ficar consigo mesmo e expansão, busca de contato com outras pessoas, sendo uma forma de pulsação. Essas escolhas podem ser influenciadas pelo ritmo diário. Podemos ser mais expansivos durante o dia e durante a noite ficarmos mais recolhidos ao dormimos, um estado não é melhor que o outro, sendo ambos necessários para uma boa saúde.

Ficar imobilizados em qualquer deles se torna um desequilíbrio, uma vez que a vida depende da pulsação, do movimento, da capacidade do individuo se expandir e retrair à medida que as situações exijam, isso sim é estar em movimento, circulando entre os polos. Nosso modo de produção na sociedade nos exige há tempos que estejamos sempre produzindo, sempre alerta, sempre ativos, sempre prontos, preenchendo nossos dias com trabalho e muitas atividades, isso pode nos dar a impressão que estamos nos movimentando, mas é só mais uma forma de estagnação, estar imobilizado no “movimento” e não conseguir tirar um tempo para descansar, para relaxar, para estar na própria companhia ou não fazer nada.

Vale ressaltar que a exigência do nosso modo de produção não é a mesma para todes os corpos. Corpos em vulnerabilidade de raça, gênero e classe são ainda mais exigidos e explorados em trabalhos com baixas remunerações e condições ruins.

A pulsação além de se manifestar em nós se manifesta na natureza “externa”, digamos assim. Nas estações do ano, o outono e o inverno são fases de introspecção da natureza, tudo está alinhado a isso, os animais preparam reservas de comida, alguns hibernam, os pássaros migram, as folhas das árvores caem, as temperaturas caem. Já na primavera e no verão, as temperaturas começam a se elevar, as flores florescem, as árvores dão frutos, enfim.

Como o animal humane nunca consegue dominar a natureza por completo vive em uma luta permanente com ela, que se reflete em uma luta interna entre o ego e o corpo. Embora pareça incoerente, mas ao dominar a natureza cortamos as nossas próprias raízes. Como dizia Lowen, por mais útil que seja o progresso, ele sempre caminha para cima, para longe do chão e as pessoas nunca estiveram tão deprimidas, ansiosas e inseguras, mesmo algumas que possuem um elevado conforto material. Da mesma forma que se constrói uma casa a partir de seus alicerces, uma personalidade integrada se constrói a partir da base.

Referências: A espiritualidade do corpo: bioenergética para a beleza e a harmonia de Alexander Lowen.

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CAMILA ANDRADE GONTIJO JAIME DE MATOS | Psicóloga – CRP 09/013433

Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Atua como psicóloga clínica, atendendo adolescentes e adultos. Faz especialização em psicologia corporal, com ênfase na análise reichiana e análise bioenergética. O diferencial de seu atendimento é uma visão de ser humano a partir de sua realidade social, biológica e psíquica, usando movimentos corporais e a respiração também como via de trabalho.

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