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15 de fevereiro de 2018
Mas, afinal, o que é Bullying?

Uma crescente e perversa estatística aponta que escolas tem sido palco de tragédias com uma frequência assustadora. A violência atravessa os muros escolares e invade este cenário. A partir daí, muitas especulações são disseminadas como verdades absolutas, imputando culpas, julgamentos, inverdades e mais violência, sem verificar a veracidade dos fatos, nem tampouco conceber a complexidade e a integralidade do envolvidos.

Diante de inúmeros julgamentos e questionamentos faz-se necessário esclarecer uma das formas de violência¹ que amplamente permeia o ambiente infanto-juvenil, principalmente nas escolas, o bullying.

 ENTÃO, O QUE É O BULLYING?

O bullying é caracterizado por ser uma agressão sistematizada, protagonizada por um ou mais agressores que expõe a vítima, implicando abuso de poder sobre esta. Possui um caráter repetitivo, sistemático e visa causar danos ou prejudicar alguém.

 A vítima do bullying, geralmente, é frágil e vulnerável, e apresenta pouco ou nenhum recurso para evitar, parar ou mesmo se defender das agressões. Comumente são mais isoladas, passivas, introvertidas e não raro, tem opinião negativa de si e da situação, não conseguindo perceber ou encontrar alternativas para modificar a situação.

Já os agressores, na maioria das vezes são populares, julgam positivamente sua agressividade e possuem habilidade em manipular pessoas. Com esses “atributos” conseguem agrupar mais facilmente seguidores para apoiarem e reforçarem seus comportamentos violentos.

Outra forma de manifestação do bullying é através da esfera virtual, o chamado cyberbullying. O cyberbullyng pode ser iniciado ou mantido por meio de agressões utilizando tecnologias como e-mails, whatsapp, faceebook, dentre tantas outras ferramentas tecnológicas. O agressor, para não ser descoberto e se manter no anonimato, muitas vezes se utiliza de perfis falsos.

O bullying tem duas formas de manifestação, direta e indireta. A forma direta se dá por agressão física e verbal. Já o bullying indireto implica em comportamentos mais sutis e excludentes, como por exemplo, indiferença, isolamento, exclusão, provocações de cunho racial e sexual.

O bullying não pode ser confundido com brincadeiras de criança e muito menos como situações corriqueiras e naturais, para que não seja banalizado. A diferença entre as brincadeiras e o bullying pode ser difíceis de ser percebida, por se apresentarem, muitas vezes de maneira sutil ou imperceptível. A brincadeira é pontual e não causa danos psíquicos e/ou físicos. A medida e diferenciação se faz quando há sofrimentos para qualquer um dos envolvidos. Se existe sofrimento não é mais brincadeira.

O processo de bullying, se não identificado e evitado, pode re(produzir) danos a nível físico e/ou psicológico, para as crianças/adolescentes envolvidos, sendo estes vítimas ou agressores.

E O QUE PODE SER FEITO??

O primeiro passo é sempre a prevenção, que pode ser feita através de palestras com os pais, professores e funcionários das escolas, e com os próprios alunos. As palestras devem ser de forma participativa e interativa para que se conscientizem de maneira mais efetiva e integrativa.

Outra atitude a ser tomada é ensinar a criança a se posicionar de forma a enfrentar e defender-se, sem contudo confrontar. Para tanto, é necessário conhecer como a criança/adolescente lida com as questões de seu cotidiano e trabalhar a resiliência² fortalecendo a autoestima, controle dos impulsos e da expressão de agressividade, para que consigam se defender e se expor para pessoas de sua confiança. Sendo, portanto, necessário um comprometimento e relacionamento dos pais e comunidade com a escola, para atuarem como aliados na orientação de seus filhos/alunos.

Ações nas escolas e nas famílias podem ser planejadas de modo a trabalhar as emoções e dificuldades, respeitar as diferenças, socializar, compartilhar/dividir, treinamento de resolução de conflitos e relacionamentos de forma saudável, valorização das relações de amizade e ambientação de cooperação.

Este texto tem caráter informativo e elenca apenas algumas das possiblidades de ações preventivas e remediativas ligadas ao tema bullying.

Notas:

1 – A intenção de machucar ou ofender alguém é característica central para definir um ato como violento. Violência se caracteriza pela intencionalidade (Lisboa e Ebert, 2012).

2 – Resiliência: Capacidade de superar, de recuperar de adversidades (dicionário Aurélio, online).       Desenvolvimento adaptado, positivo e saudável de qualquer indivíduo frente a adversidades em seu    desenvolvimento (Koller e Lisboa, 2007).

3 – Referências:

  1. I) LISBOA, C. e EBERT, G. Violência nas escolas: reflexão sobre as causas e propostas de ações preventivas e focais. In: HABIGZANG, L. F. et al. Violência contra crianças e adolescentes: teoria, pesquisa e prática. Porto Alegre: Artmed, 2012.
  2. II) LISBOA, C., BRAGA, L.L. e EBERT, G. O fenômeno bullying ou vitimização entre pares na atualidade: definições, formas de manifestação e possibilidades de intervenção. In: Contextos Clínicos, vol.2, n.1, São Leopoldo, jun.2009.

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