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30 de março de 2017
Fatores importantes na escolha de um psicólogo

A procura pelo atendimento psicológico pode se dar por diversas razões. Desde auxiliar em déficits relacionais, fobias, transtornos ou pelo interesse em se conhecer melhor. Nessa busca por um bom profissional, o que deve ser levado em conta?

Não há regras sobre como fazer esta escolha e nem garantias de que a relação será de fato positiva e curativa. Contudo, alguns pontos servem como bons sinais de que a relação estabelecida será consistente e com possibilidades reais de melhora para a vida do cliente/paciente.

Alguns desses pontos são: sentir-se á vontade diante daquele profissional para expor assuntos que costumam gerar desconforto e a sensação de confiança de que aquele profissional está capacitado para te auxiliar no resgate da sua qualidade de vida.

Sentir-se á vontade está muito relacionado a questões subjetivas, próprias da relação estabelecida, entre as duas pessoas, valores pessoais e história de vida. Nesse aspecto, é importante atentar para:

1.      As intervenções desse profissional estão de acordo com suas crenças e valores?

Uma boa relação terapêutica precisa ter sintonia entre as crenças e valores dos envolvidos. O  que não significa concordância, mas acolhimento, respeito e tolerância ao que faz sentido para o outro. Em alguns casos, o profissional poderá suscitar questionamentos sobre algumas de suas idéias, posturas rígidas que possam ter contribuído com o que te levou a buscar ajuda. Mas, nem por isso, o psicólogo poderá atacar as crenças de quem o procura.  Tanto o objetivo terapêutico como as estratégias para alcançá-lo, devem ser negociados entre psicólogo e cliente e não, impostos pelo profissional.

  1. Afinidade

O trabalho terapêutico requer bastante afinidade entre psicólogo e cliente, uma conexão profunda. Caso a sessão não te deixe á vontade,  é importante expressar isso ao profissional e se o problema não for corrigido, buscar por outro psicólogo. Claro, que quando estamos tratando de questões muito íntimas ou que despertem muito sofrimento, o desconforto é natural. Mas é importante sentir que o psicólogo em quem você confia, está atento e compreensivo á sua fala, que não minimiza e nem maximiza seu sofrimento. Ouve de forma atenta, empática e auxilia no que for possível, elaborando formas menos desgastantes de lidar com a situação.

  1. Haverá espaço para interpretações tanto do cliente quanto do psicólogo

Assim como o cliente precisa estar ciente e aberto para indagações e interpretações que o psicólogo pode fazer ao longo do processo, o mesmo espera-se do psicólogo. Esses profissionais não são detentores absolutos do saber e tem menos conhecimento da sua história de vida do que você. Então,  poderão surgir equívocos,  tanto em relação aos fatos, quanto na escolha errada do tom ou dando uma proporção errada ao que foi dito.  Cabe ao cliente, clarificar isso junto ao psicólogo, mostrando onde foi que o profissional se enganou. Falhas no ambiente terapêutico podem servir como uma oportunidade poderosa de melhorar a relação e trazer mais abertura e cooperação entre a dupla.

  1. O psicólogo não terá a resolução para todos os seus problemas

Não há resoluções gerais que sirvam a todos os problemas e ainda que houvesse, não é a serviço delas, que o psicólogo está. E sim, do crescimento pessoal e autonomia do cliente. Então, ainda que em alguns momentos o psicólogo seja mais aconselhador, o percurso terapêutico, de modo geral está predominantemente pautado em uma postura mais confrontativa e indagativa, com o propósito de viabilizar  insights ao cliente. O psicólogo propicia descobertas, novas formas de pensamento e resoluções de conflitos, porém o caminho é feito pelo cliente.

  1. O psicólogo interromperá o processo terapêutico quando necessário

O interrompimento do atendimento pode ser dado por diversas razões, o profissional não se sentir seguro para atuar sobre aquela demanda, falta de empatia entre a dupla ou por alta. Altas completas, parciais ou pausas, são espaços para que o cliente perceba seus ganhos individuais e pratique em seu dia- dia. Terapia não deve, em hipótese alguma, gerar dependência. Deve ser uma relação honesta e colaborativa e que em um dado momento, se tornará dispensável.

Além dessas questões tidas como subjetivas do relacionamento terapêutico. Algumas questões práticas também podem ser interessantes na escolha do psicólogo.

  1. Ele precisa ser minimamente claro sobre seus métodos e objetivos

O canal entre o psicólogo e o cliente deve estar aberto a todo momento, para que tirem dúvidas e exponham o que for necessário com a maior fluidez possível. A transparência e concordância com o que se espera da terapia e dos meios para alcançar isso são imprescindíveis, tanto para cliente como para o  psicólogo. O cliente precisa ter idéia do que esperar dos atendimentos e o psicólogo precisa contar com o apoio do cliente para isso.

  1. Ética

É importante uma relação empática com os clientes, inclusive é um dos alicerces da terapia. Porém, é preciso estar atento ás violações do código de ética. Gestos ou mesmo palavras que saiam do cuidado profissional, servem como alarme.  O mesmo vale para quebra de sigilo ou ofensas dentro/fora do atendimento.

  1. Formação profissional

Procure um psicólogo que se mantenha atualizado, continue estudando e produzindo conhecimento na área em que atue. Além disso, pergunte a ele se tem experiência em atender casos que tenham alguma similaridade com o seu, isso gera segurança em relação ao serviço que será prestado. Indague sobre a linha teórica adotada pelo profissional e como ela costuma agir frente a queixa que está sendo levada ao consultório.

Os pontos identificados como subjetivos, é interessante que você dê tempo para que se instaurem entre você e seu psicólogo, mas não tempo demais. Se depois de um determinado tempo, por exemplo, ainda não haver confiança no profissional, é melhor que busque por outro. Já as questões práticas, são aconselháveis que sejam discutidas e acordadas entre os dois, logo na entrevista inicial.

Imagem: retirada do google imagens.

Autora:

Olívia Rodrigues da Cunha – Psicóloga – CRP 09/10114

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2015) , com ênfase em  Psicologia Clínica. Especialista em Saúde Mental (UNYLEYA, 2016) e Mestranda bolsista pela CAPES, em Psicologia com ênfase em Psicopatologia Clínica e Psicologia da Saúde.  Experiência clínica em manejo de ansiedade, terapia de casal e transtorno de personalidade borderline.

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