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30 de abril de 2020
Família&Filhos&Quarentena

No início do período de isolamento vimos muitos memes na internet demonstrando o quanto seria difícil viver “maratonando” séries e filmes e revezar com o descanso e o dormir. Mas essa não é uma realidade que se aplicava a todos, principalmente às famílias com filhos, seja esses pequenos ou mesmo os adolescentes.

Todos estávamos vivendo em um ritmo frenético, de idas e vindas, levar filhos à escola, trabalhar, pensar na agenda do fim de semana, fazer reuniões com os amigos, encontrar disposição para cuidar da saúde, da casa e das relações, fossem elas familiares, profissionais, amorosas ou de amigos. Mas de repente ocorreu uma desaceleração total e nos vimos “obrigados” a colocar o pé no freio!

Para muitos, inicialmente isso pareceu umas férias ou um feriado prolongado, para tantos outros, a necessidade de se organizar em casa para fazer home office em meio ao caos de ter que cuidar da casa, dos filhos, de orientar o estudo também em casa, fazer comida, se preocupar com o futuro e pensar um pouco em si.

Os filhos exigem atenção, e estão certos, querem ser vistos, querem também compartilhar a angústia de ter tido toda a rotina alterada, a alegria de não terem provas nesse período ou mesmo o medo de quando voltar. Os filhos querem brincar, querem olhar nos olhos dos pais, querem tempo de qualidade, e como as famílias poderão disponibilizar esse “tempo/afeto” em meio ao caos?

Para que as coisas saiam o menos possível dos trilhos, é necessário que pai e mãe, em casa, ou demais pessoas que moram no mesmo ambiente, dividam o tempo, para poder fazer o próprio trabalho e acompanhar essa criança. Criando essa divisão, deverá ser comunicado aos pequenos, que não recorrerá à todos da casa, sempre que quiser, sabendo se procurará o pai, a mãe, a avó, etc.

Para os filhos menores, entre 2 e 9 anos, é importante fazer as aulas remotas em um momento em que poderá ser feito o acompanhamento de um adulto, ou mesmo que haja a explicação do conteúdo e atividade para deixá-los fazendo sozinhos, e assim ainda desenvolve a capacidade de autonomia deles para o estudo.

Também devem ser criados momentos para que os filhos auxiliem nos afazeres de casa: tirar poeiras, lavar louças, separar a roupa suja e jogar na máquina, são atividades que crianças pequenas já conseguem fazer, assim eles contribuirão com a organização da casa e ainda aprenderão novas habilidades.

Outra coisa fundamental, principalmente aos fins de semana, e caso a casa tenha duas televisões é a criança entender que terá o momento da “sessão pipoca” em família e também terá o momento em que os pais poderão assistir algo que ela não pode ver, a partir dos 4 anos isso já é bem possível de ser feito.

Por mais que a rotina com filhos seja mais atarefada e não é possível tempo para se descansar tanto, quando há uma organização, a chance de se ter uma maior harmonia e diversão, também é maior.

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Autora: AURÉLIA CARNEIRO CAETANO MELLO | Psicóloga – CRP 09/10325

Graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (UNIP) e em Pedagogia pela UFG, especialista em Psicopedagogia e Neuropsicologia e pós-graduanda Psicologia Escolar. Atua como Psicóloga Clínica com base na psicanálise, realizando atendimentos com crianças, adolescentes e adultos, em demandas relacionadas à dificuldades de aprendizado e de adequações emocionais, stress, depressão, ansiedade, relações interpessoais e familiares, autoconhecimento e temas relacionados ao contexto familiar e social. Realiza avaliações neuropsicológicas e atua também como Psicóloga Escolar e atualmente é coordenadora do Programa Desenvolver.

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