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12 de maio de 2021
Dia Internacional da Família

Atualmente temos como conceito de família o afeto e a dignidade da pessoa humana que vai além de um meio familiar constituído pelo casamento e unido pela herança genética. Na contemporaneidade, são os laços afetivos que determinam as relações familiares, não somente o DNA.

Desta forma temos a família que nascemos e a família que escolhemos, que vamos construindo ao longo da vida, trazendo para nosso convívio pessoas que se tornaram importantes no nosso cotidiano, que conhecemos no trabalho, estudo, comunidade.

Temos vários tipos de família: a de origem, extensa, nuclear, reconstruída, monoparental, numerosa, homoparental, adotiva, anfitriã e família sem filhos/as. Espera-se que todas elas tenham nascido do desejo, do amor, das as expectativas e das responsabilidades que envolvem ter uma família, mas, podem desenvolver relações nutritivas/tóxicas, exigentes/permissivas, aglutinadas/negligentes, amorosas/agressivas. Independente de como seja é na família que aprendemos ou não os valores que levamos para a vida.

Rialland em seu livro “A família que vive em nós”, diz que somos reflexo da família que habita em nós, desde a nossa concepção somos objetos de projeção, somos desejados (as) ou não, esperados (as) enquanto filho ou filha, fantasiados (as), imaginados (as) no que diz respeito ao nosso físico, caráter, às nossas atitudes. Somos primeiramente uma criança imaginária, somos submetidos a um conjunto de identificações familiares.

Todas as famílias são diferentes, é sempre um segmento de um grupo maior, em um determinado período histórico e cultural. Mas quando se fala em família, qual vem à mente? Na maioria das vezes: a nossa.  A família é o primeiro modelo de identificação da criança, mesmo que um casal não deseja ter filhos, foram crianças, conectadas por emoção e/ou sangue, que viveram juntos o tempo suficiente para terem desenvolvido padrões de interação e uma história que justificam e explicam os seus padrões internos, e decidem serem apenas o casal sem filhos, desta forma, sendo uma família. Quando um casal homoafetivo decidi ter filhos, provavelmente tiveram experiências amorosas em suas famílias e desejam compartilhar e reproduzir o amor recebido.

Independente do tipo de família, precisamos refletir sobre seu papel na atualidade, sua importância e responsabilidade. A família não perdeu sua função de prover e cuidar. Mas é preciso lembrar que não é só o alimento para o corpo físico que precisam se preocupar, mas o alimento emocional e espiritual, independentemente de suas crenças, não é somente um lar segura para o corpo, mas uma moradia fortalecida para valores e caráter. Os provedores da família estão voltados para o trabalho, preocupados em não deixar faltar nada em suas casas, mas não estão percebendo que estão deixando faltar o essencial, sua presença, pois é na relação que são passados valores e afetos, não somente pelo discurso, mas pelo exemplo.  As atitudes inaceitáveis de preconceito/violência na sociedade podem ser um reflexo dessa ausência, da falta de interação e vínculo afetivo, conversar e ouvir os filhos, eles também podem ensinar novos valores a seus pais, refletirem sobre as diversidades culturais, mas é preciso estarem presentes e juntos.

A responsabilidade com os filhos (as), não termina quando ele (a) casa ou sai de casa, o tipo de relação que os pais estabelecem com seus filhos, podem se reverter no tipo de relação que os filhos adultos estabelecerão com os pais idoso. Como as famílias abandonam seus idosos, podem estar relacionadas de como a família acolhe suas crianças.

Estamos vivendo um ano atípico, de muitas incertezas, e muitos foram buscar na família a força para superar os desafios enfrentados. É visível a preocupação de algumas pessoas com seus parentes idosos, os cuidados e precauções com a sua família. Fez-se necessário olhar para as famílias, acolher suas dores, as preocupações com a saúde, o sofrimento pela perda do trabalho, dos sonhos não realizados (casamentos, formaturas, estudos, viagens etc…) e principalmente pelo luto de pessoas amadas.

Se for possível ressignificar o que a pandemia nos trouxe, com certeza foi o resgate ao convívio familiar, o despertar do significado FAMÍLIA.  Precisamos olhar para a nossa família, mesmo aquelas que tiveram perdas, muitos se uniram pela dor, para se confortarem uns aos outros. Aqueles que não tiveram essa experiencia, estão tendo a oportunidade de rever seus valores e comportamentos, quantas vezes relatamos falta de tempo para estarmos com a família, de uma forma cruel, foi dado a oportunidade de estarmos cuidando uns dos outros, se não pôde ser de perto, foi de longe, se não pôde estar presencial, foi on-line, mas fomos convocados a retomarmos o “CUIDAR”,  função primordial da família, fizemos isso usando máscaras , abrindo mão de comemorações, fazendo escolhas para não colocar em risco a saúde de nossos familiares.  Literalmente tivemos que “PROVER” o alimento para os idosos de nossas famílias e de outras, que não puderam sair de casa para comprar.

Caso você não tenha ainda despertado para algo positivo, do momento atual, o resgate as relações nutritivas das famílias precisaram ser reestabelecidas. Todas as famílias têm problemas, divergências, os excluídos, as mágoas, também tem amor, alegria, carinho. Todavia, um gesto, um primeiro passo, o cuidado, as preocupações compartilhadas podem mudar o rumo de muitas gerações.

A família deixa de existir não somente pela morte dos membros, mas quando as responsabilidades não são exercidas, todos nós dentro da família, temos direitos, mas não podemos esquecer dos deveres… não espere apenas ser acolhido, acolha, tenha uma atitude de empatia, compaixão e mude sua história e de seus descendentes. Agradeça sua família, mesmo que ela não seja a família que desejou ter, demostre o afeto que deseja receber, assim, pelo seu exemplo, você se tornará um integrante de muitas outras famílias.

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Autora: MARIA LÚCIA GONÇALVES FERNANDES | Psicóloga – CRP 09/008857

Psicóloga especialista em desenvolvimento e aprendizagem humana, processo pelo qual o ser humano está em constante transformação, podendo afetar os relacionamentos, trabalho e a própria aprendizagem. Através de estratégias e intervenções sistêmicas, psicopedagógicas e Psicologia Positiva, levantando reflexões para as transformações/adaptações necessárias para o bem-estar, ao ser humano em suas dimensões Biopsicossocial e Espiritual.

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