Atualidades e psicologia

Quais são os sinais de autismo?

Quais são os sinais de autismo?

Você já percebeu alguma criança que parece não responder quando chamada, prefere brincar sozinha ou parece estar em seu próprio mundo? Esses podem ser alguns dos muitos sinais possíveis do Transtorno do Espectro Autista  e reconhecê-los com atenção e cuidado pode fazer uma diferença enorme na vida de uma criança ou de um adulto.

Vale já deixar claro desde o início: o autismo é um espectro. Isso significa que cada pessoa com TEA tem sua própria forma de existir, se comunicar e perceber o mundo. Não existe um perfil único, e nenhuma lista de sinais define quem é ou não é autista. O que existe são pistas que merecem atenção e que podem motivar a busca por uma avaliação especializada.

O que é o Transtorno do Espectro Autista?

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar a forma como a pessoa se comunica, interage socialmente e processa as informações ao redor. A palavra “espectro” existe justamente para lembrar que há uma enorme diversidade de experiências: algumas pessoas têm suporte mais intenso em certas áreas, outras vivem de forma bastante independente.

O diagnóstico precoce, especialmente na infância, abre portas para suporte mais adequado e para um desenvolvimento com mais qualidade. Mas ele também tem valor em qualquer fase da vida.

Alguns sinais que podem aparecer na infância

Durante o desenvolvimento infantil, algumas características podem chamar a atenção de pais, cuidadores e educadores. É importante reforçar que nenhum desses sinais, isoladamente, confirma um diagnóstico, eles são pontos de observação que merecem ser levados a um especialista.

Entre os comportamentos que podem surgir estão:

  • Dificuldades em certas formas de interação social, como em alguns casos uma menor frequência de contato visual ou respostas diferentes ao ser chamado pelo nome. 
  • Algumas crianças podem apresentar atraso na fala ou formas particulares de se comunicar, como repetir palavras ou frases fora de contexto, algo chamado de ecolalia. 
  • Outras podem demonstrar preferência por brincadeiras com padrões repetitivos, como organizar objetos em fileiras, em vez de brincadeiras imaginativas.
  • Sensibilidades sensoriais também são comuns em algumas crianças com TEA, certos sons, texturas, luzes ou cheiros podem gerar desconforto intenso, enquanto outros estímulos podem parecer menos percebidos. 
  • Movimentos repetitivos, como balançar o corpo ou bater as mãos, podem aparecer como forma de regulação sensorial e emocional.

Novamente: esses são sinais possíveis, não definitivos. Cada criança tem seu próprio ritmo e forma de ser.

Porque muita gente não descobre que tem TEA? 

Muitas pessoas chegam à vida adulta e até à maturidade sem um diagnóstico de TEA. Isso acontece porque, durante muito tempo, os critérios diagnósticos eram mais restritos e focados em crianças. Além disso, muitos adultos aprenderam ao longo da vida a mascarar características do espectro para se adaptar socialmente,  o que pode ser muito exaustivo.

Receber um diagnóstico na vida adulta pode trazer um profundo alívio e clareza. Não se trata de colocar um rótulo, mas de entender a própria história com mais compaixão e menos culpa.

Por que buscar uma avaliação?

Se você se reconheceu em alguma parte deste texto, seja pensando em uma criança, em alguém próximo ou em você mesmo, considere buscar orientação de um profissional especializado. Uma avaliação cuidadosa, feita por psicólogo com experiência em TEA, pode oferecer respostas que mudam a forma como você se enxerga e se cuida.

O diagnóstico não define limites. Ele amplia possibilidades.

 

Psicóloga: Letícia Rocha

CRP: 09/16894

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