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21 de outubro de 2020
Desmistificando os cuidados paliativos: para que serve e qual o papel do psicólogo(a)?

O mês de Outubro chega todo rosa e ele tem um propósito de conscientizar e transmitir informações sobre o “quanto antes melhor”, ou seja, a importância da população de se prevenir contra o câncer de mama, uma doença tão devastadora e silenciosa que a cada dia vem fazendo mais vítimas. 

A palavra câncer assusta a todos, ninguém se imagina ou quer passar por um estado tão delicado e debilitado, na qual deixa o indivíduo em certo modo vulnerável e com perdas de sua identidade, partes de si que foram construídas ao longo de sua vida vai sumindo. Além disso, o câncer por si só já carrega significados negativos que foram construídos historicamente e culturalmente associando a doença com morte.

Dentro disso, quando uma pessoa se encontra em um estado de câncer em que a  doença se torna incurável e que ameace a sua vida de forma gradual ou instantânea, se é convocado os Cuidados Paliativos, ou seja, uma equipe multiprofissional especializados na área que tem como propósito aliviar,  prevenir, cuidar e acolher o sofrimento daquele ser humano para que ele tenha uma condição de vida prazerosa, plena e concluída de forma mais saudável possível. 

Porém, é importante frisar que atualmente os cuidados paliativos, não são apenas para fases terminais e tem como definição promover a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares, sendo assim, tendo um intuito de aliviar os sintomas e os sofrimentos que a doença independe de qual for ela  pode causar.  Assim, os cuidados podem feitos tanto em casa ou nos hospitais.

Com isso, enquanto profissionais da saúde temos que ter uma visão bem ampliada, partindo de que, somos seres humanos diferentes e com isso temos sofrimentos e questionamentos da vida diferentes e cada qual é pertencente de um contexto e de uma dimensão existencial, melhor dizendo, além da dor física que o paciente está tendo que suportar, ele também tem a dor familiar, a dor espiritual, a social, a emocional, o arrependimento, o perdão que não pediu, o psicológico abalado por tudo que está vivenciando, as perdas,  e as perguntas que se faz para si próprio como  “porque isso tudo”, “como será depois”, “o que faço”. 

Dessa forma, cuidar de cada uma dessas dimensões citadas, dar uma escuta para que o paciente possa discutir com alguém esses questionamentos, de correr atrás de seus desejos, de manejar a dor sustentando uma melhor qualidade de vida e dar todo o suporte familiar e social no momento e depois, para além de certo e científico é algo humano e bondoso. 

Assim, os cuidados paliativos vem para  mostrar que a vida pode e tem que ser vivida da melhor forma, já que, todo mundo tem o direito de completar sua jornada e contar com uma equipe dedicada ao processo de fazer acontecer e ter uma diminuição daquele sofrimento satisfazendo as necessidades particulares de cada indivíduo nesse processo que é viver bem e do jeito que se quer até o último dia de nossas vidas. 

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Autora: ANA KAROLINA LISBOA ARRUDA | Psicóloga – CRP 09/13751

Graduada em psicologia pela Universidade Alves Faria (UNIALFA). Durante a graduação realizou cursos de Cuidados paliativos, psicopatologia, LIBRAS nivel I, psicologia forense e introdutório de Gestalt-terapia. Apresentou inúmeros trabalhos em congressos até mesmo fora de Goiânia. Na prática clínica sob a luz da Gestalt-terapia tem experiência com o público infantil e adulto, tendo como demandas ansiedade, depressão, luto, baixo autoestima, questões familiares, relacionamentos amorosos entre outros. Respeitando e cuidando da sua existência, de forma acolhedora e sem julgamentos.

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