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13 de junho de 2017
Depressão pós-parto: o que é e por que acontece?

A chegada de um bebê a uma família, é motivo de grande empolgação e alegria, todos querem compartilhar desse momento e dar muitas opiniões sobre a melhor forma de cuidar desse ser tão pequenino. Mas existem alguns sentimentos e emoções que a mãe pode sentir, dos quais ela nunca imaginou que pudesse acontecer, principalmente em casos de gravidez planejada.

O nascimento do filho(a) pode deixar a mãe muito exausta e ansiosa, e assustada com as mudanças que o “tornar-se mãe” proporcionou, e ela pode sentir o impacto dessas transformações, que podem ser:

  • Em vez de continuar com o controle da própria vida, a mãe pode se sentir controlada pelas constantes exigências do bebê, que parece nunca deixá-la descansar e recuperar as forças;
  • A vida social e de trabalho pode ficar abalada, e a mulher achar que ela nunca mais será a mesma;
  • O relacionamento com o parceiro e com outros pode ficar estremecido porque não resta muita energia para eles;
  • Talvez a mulher ache que precisa de mais ajuda, mas não consegue pedir e se cobra como se a responsabilidade exclusiva fosse dela mesma;
  • Tendo um parceiro em casa ou não, a mãe pode se sentir sozinha e abandonada.

A depressão pós-parto atinge muitas mães, de formas diferentes, mas alguns dos sintomas que acontecem são: tristeza, irritabilidade, cansaço, insônia, ansiedade, perda de apetite, angústia, desinteresse pelo sexo, estranheza em relação à vida e ao bebê. Ela pode acontecer logo após o parto ou até um ano após o nascimento do bebê, mas normalmente ocorre até o 3• mês.

A tristeza materna, também chamada de *baby blues* é a forma mais comum e leve da depressão, a mãe pode se sentir muito sentimental e chateada, chorando sem motivo aparente e muita irritabilidade. A alteração hormonal após o parto tem grande responsabilidade nessa tristeza, que marca o início da real percepção de ter que cuidar de um bebê e de todas as mudanças que aconteceram em sua vida.

A depressão pós-parto causa grande impacto em toda a família, e é uma condição mais séria e duradoura do que a tristeza materna, interferindo no relacionamento entre mãe e bebê e podendo gerar efeitos duradouros. Ela afeta o bebê, pois o período inicial deve ser de grande aproximação física e emocional desse bebê com sua mãe, e ele fica muito sensível com as mudanças de humor que a mãe apresenta. Um bebê precisa de todo cuidado e atenção necessária, e quando não recebe essa atenção adequada, tendo que esperar um tempo além do que suporta, pode ficar confuso e assustado, e reagir à ausência da mãe de diversas formas, como evitando o contato olho no olho, demonstrando incapacidade de se doar com estranhos, entre outros.
É importante estar atenta e conversar às emoções que a mãe vivencia e conversar com o obstetra que acompanha.

O “tornar-se mãe” não é uma tarefa fácil, culturalmente a maternidade é vista de uma forma muito idealizada, como se não fosse permitido sentimentos negativos ou hostis em relação a esse momento e ao bebê. Mas isso não é o correto, e pode gerar mais angústia à futura mãe.

Existe um grande processo de reordenação psíquica que a mulher precisa passar nesse ciclo entre estar grávida e ‘dar a luz’, que englobam pequenas etapas vividas de forma diferentes para cada uma: “A transformação da filha em mãe”; “a transformação da autoimagem corporal” e “a relação entre a sexualidade e a maternidade”. Portanto esse dilema é esperado e deve ser vivido com a chegada do bebê e o aprendizado das novas ações de cuidado e satisfação das necessidades que esse bebê apresenta. Quando a mulher não recebe apoio e compreensão necessária, pode apresentar os sintomas de depressão pós-parto, dentre eles a sensação de incapacidade de cuidar do bebê e desinteresse por ele, chegando ao extremo de ter pensamentos suicidas ou homicidas em relação os filhos.

A depressão pós-parto, em muitos casos exige um tratamento medicamentoso, e somente um médico pode prescrever esses medicamentos, e juntamente com o profissional da psicologia irá orientar a mãe sobre as melhores maneiras de superar essa fase. “Ter depressão pós-parto não significa que você não ama, não quer ou não acolheu bem o seu bebê. Não existe uma explicação simples para sua causa, no entanto, a combinação de estresse, preocupações e medo torna muito maior a possibilidade de uma mulher ficar deprimida após o parto”.

Referência: IACONELLI, V. Depressão pós-parto, psicose pós-parto e tristeza materna. 2005.

 

 

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